domingo, 3 de junho de 2012

O deleite de escolher


Por Raul Cânovas
Desde que me conheço como gente, vivo optando por isto ou por aquilo e acho fantástico selecionar as plantas mais lindas para meus projetos
Como é bom ter alternativas para enriquecer nossas vidas! Reparou como o cotidiano das pessoas mudou nos últimos cinquenta anos? Sim, o mundo transformou-se tanto que meus avós, se fossem vivos, não acreditariam nas coisas que passariam à frente de seus olhos. Quando as mães de meus pais saíam de casa para fazer as compras no armazém de secos & molhados, iam com um pedacinho de papel onde estava escrito tudo o que precisavam: feijão a granel, uma galinha, banha de porco, grãos, queijo, azeite, enfim, o que uma família consumia no dia a dia. Hoje os supermercados em nada se parecem com esses comércios de meados do século passado, e o comportamento do comprador mudou radicalmente, permitindo que ele não fique separado dos produtos por um balcão. O cliente não fala com atendentes, ele mesmo elege o produto de sua preferência, no meio a centenas ou até milhares de mercadorias que ficam ao alcance de suas mãos.
E as escolhas não param por aí. Durante o Estado Novo, na década de 1940, as profissões se resumiam a: contabilistas, advogados, médicos, engenheiros e naturalistas. Hoje, há mais de quarenta cursos de graduação em todas as áreas do conhecimento, com programas de Pós-Graduação e inúmeros cursos de aperfeiçoamento. O ser humano conseguiu encurtar distâncias ampliando seus conhecimentos e aumentando seu poder de determinar o que é melhor e mais conveniente para seu conforto e deleite. Até a velha tradição de arrumar namorados nos bailes ou nas festas da cidade ficou superada. Na atualidade, a rede de relacionamentos na internet, nossa vida profissional, as viagens mais baratas e o telefone celular ampliaram as possibilidades de conhecer pessoas que moram fora do bairro onde crescemos e estudamos.
Vivemos um novo Renascimento e, assim como no final do século XIII, o século XXI passa pela Renascença de poder determinar o que quer, preferindo as coisas que lhe são oferecidas, dando-lhe às mulheres e aos homens a oportunidade de optar pelo que é melhor dentre tantas e tantas ofertas de prazer.
Mas, me pergunto: porque, então, há tantas limitações quando escolhemos as plantas que cultivaremos em nosso jardim? Além da kaizukas, dos bambús-mossô, das cicas e das palmeiras-imperiais, são cultivadas numerosas espécies bacanas e raras, isto é, nada vulgares, que poderiam surpreender nosso olhar e o olhar dos outros. Já que temos a sorte de poder escolher entre uma quantidade enorme de árvores, palmeiras e outras que ajudam na formação de uma paisagem peculiar e cheia de características próprias, por que não usar desse privilégio e inventar uma paisagem nova, plena de surpresas e de nuanças.
Atreva-se e sinta o deleite de escolher!(Jardim das Ideias)

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