sábado, 16 de junho de 2012

Por que as Árvores caem ?


Ataulfo Alves, retratado pelo cartunista J. Bosco na figura ao lado, escreveu:
As árvores morrem de pé
Sua vontade é me ver caído no chão
Mas não caio não
Porque tenho meu guia de fé
Sou uma árvore
Morro mas morro em pé
Prá seu governo
Ouve-me bem Januário
Você não pode ensinar
Padre- nosso ao vigário
Bom remador
Rema em qualquer maré
Sou uma árvore
Morro, mas morro em pé
.



Seria bom que elas continuassem a morrer de pé, como escreveu o sambista em 1965, inspirado, talvez, na peça homônima do dramaturgo espanhol Alejandro Casona, “Los árboles mueren de pie”, estreada em Buenos Aires, em 1949. Mas, infelizmente, as árvores sofrem uma série de agressões, no ambiente urbano, que encurtam a expectativa de vida de modo drástico, afetando assim a vida dos habitantes das cidades mais populosas e densamente habitadas.



OS MOTIVOS
1. PLANEJAMENTO
As causas da senescência, que é o processo natural de envelhecimento, são precoces nos centros urbanos devido a fatores geralmente ligados ao crescimento desordenado das metrópoles e a uma arcaica maneira de planejar as arborizações em ruas e avenidas.

Espécies inadequadas são escolhidas, na maioria das vezes, de forma aleatória, desrespeitando o clima, a topografia do bairro, a insolação, o tipo de solo (granulometria e taxonomia), a densidade populacional, o transito de veículos (considerando seu volume e características), a fiação aérea, a largura e o material usado nas caçadas, a intensidade de luz noturna e o posicionamento dos postes de iluminação, o espaço onde deverá crescer e, o mais importante, os cuidados essenciais na etapa do plantio.

Falta de espaço provocou o afloramento das raízes, destruindo a calçada.


2. MANUTENÇÃO
A manutenção delas é outro fator decisivo para uma melhor e maior probabilidade de alongar a atividade funcional, das essências arbóreas escolhidas. Nos trópicos e subtrópicos os cuidados são numerosos quando comparados com regiões onde a temperatura cai e se mantêm baixa por, pelo menos, três meses.

Alguns dos fatores a ser considerados são:
A aeração do solo. Para um desenvolvimento radicular sadio é fundamental que haja oxigênio disponível; espaços condizentes e solos profundos e porosos facilitam a drenagem. Sendo compactado, as raízes novas não conseguem respirar e morrem; aquelas superficiais engrossam e afloram junto ao colo do tronco, desmanchando calçadas.
Equilíbrio do conjunto. Troncos ocos e envergados, copas desequilibradas e galhos secos expõem, durante os temporais, à quedas. Com ventos duros (segundo Escala Beaufort) de mais de 76 km/h e o encharcamento ocasionado por chuvas prolongadas, árvores adultas que podem pesar 20 toneladas, quintuplicam seu peso e caem.
Nutrição. A lixiviação (dissolução de minerais nutricionais) e a erosão pluvial, nas regiões equatoriais úmidas, com chuvas sazonais abundantes são mais intensas gerando deficiências de: Nitrogênio, Fósforo, Potássio, Cálcio, Magnésio, Enxofre, Ferro e Manganês, principalmente. Isto ocasiona a morte da árvore devido à menor capacidade de produzir carboidratos, que funcionam de forma energética e, também, estrutural, proporcionando: consistência, robustez e elasticidade das células.
Fitossanidade. Pragas e moléstias que atacam a malha arbórea devem ser controladas. O percevejo-castanho, suga a seiva das raízes, causando murcha da parte aérea, os patogênicos fúngicos, como a Phytophthora ocasiona podridão da raiz, os cupins afetam a estrutura delas e dos troncos, as brocas que os perfuram, formando galerias, e tantos outros insetos xilófagos que consomem madeira e materiais celulósicos, em fim, uma serie de problemas devem ser observados por aqueles profissionais conhecidos como fitopatologistas, que diagnosticam e controlam, de modo cientifico, a saúde vegetal.
Uma espécie que possui uma expectativa de vida de 100 anos, na mata nativa, sobrevive, no ambiente urbano, apenas 30 anos, mas, com cuidados sua sobrevivência é aumentada consideravelmente.

A poluição ambiental causada, principalmente, pelo trânsito de veículos e a vibração que estes produzem no solo, acabam originando descolamentos do raizame, fazendo com que este se desprenda do solo, permitindo assim a contaminação por fungos. Estes são fatores que incidem na mortalidade da maioria das espécies. Há outros motivos como: excesso de iluminação noturna, barulho, podas incorretas, vandalismo, etc.
Cancros e outros patógenos podem ser evitados, fazendo podas precisas, com
equipamento apropriado.
 

A SOLUÇÃO
Resolver a queda das árvores nas cidades não é fácil, contudo, é possível com um pouco de boa vontade e muito esforço. As prefeituras deveriam criar parcerias com as universidades e seus departamentos de botânica, biologia, engenharia florestal e agronomia. Estes forneceriam não apenas profissionais formados mas, também, estagiários que teriam a oportunidade de praticar o que estudam.
Com equipes multidisciplinares e equipamento de última geração, a manutenção seria mais eficiente, rápida e barata. Um exemplo é um aparelho de ultrassom conhecido como Arborsonic, ele emprega ondas que informam as condições internas da árvore; a decomposição orgânica motivada por fungos, cupins e outras pragas é detectada mediante sinais emitidos e recolhidos por um receptor na tela do aparelho. A Prefeitura de Belém do Pará já utiliza esta engenhoca desde abril deste ano.

Arbsonic

CONCLUSÃO
Podemos deduzir que as árvores não são responsáveis pelas quedas e, sim, vítimas talvez de conceitos desatualizados e da falta de conhecimentos ambientais.

Por tudo isto, faço coro e digo também: as árvores precisam morrer de pé, como antigamente, com dignidade e orgulho, depois de ter oferecido tantas sombras, tanto abrigo, tanto frescor.(Jardim das Ideias)

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