sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O menino do dedo verde



Todo leitor inveterado teve na sua infância, obras que modificaram o seu modo de ver o mundo.
No meu caso, uma das primeiras obras a me levar ao mundo de fantasia foi um clássico de Maurice Druon. O autor francês, falecido em 2009, criador da famosa pela Série Os Reis Malditos, criou um único livro infanto juvenil  - O menino do Dedo Verde (José Olynpio, 110 páginas) - que teve sua primeira edição lançada em 1957. E mudou o modo mundo pedir por paz...

Hoje, analisando o livro como adulto que sou, consigo captar melhor o sentido libertário da obra do que quando a minha avó me deu ele de presente aos 10 anos... E não canso de me recordar como até hoje ele, na minha cabeça, é um libelo pela esperança.

Com uma prosa lírica e cheia de fantasia, os leitores conhecem a história de Tistu, o filho de um fabricante de canhões. Seus pais, decididos que ele siga os seus passos, o coloca em um rígido colégio, mas ele é expulso no terceiro dia após ele cochilar na sala de aula...

É assim que, em vez de ser repreendido, Tistu acaba voltando para casa e começa a ter aulas particulares com os mais diversos mestres. Entre eles, o jardineiro Bigodes, que descobre que o menino tem o dedo verde. Como assim? 

Tistu, ao tocar na terra, faz florescer plantas e árvores. Consegue colorir e fazer crescer aquilo que o homem destruiu. Este contato direto com a beleza natural do mundo em contraste com a violência, a ganância e a indústria bélica são muito chocantes para o inocente menino. E neste processo Tistu amadurece, disposto a mudar a tristeza da cidade onde vive e a destruição que aparece pela sua janela, que faz muitos ganharem dinheiro, inclusive seu próprio pai.

O menino do dedo verde sempre me toca pela singeleza que retrata a forma como nós fazemos a diferença. Acho que, na minha humilde opinião, todos temos os nossos dedos verdes, onde podemos construir universos inteiros, com gestos de caridade e carinho. E Tistu é a maior marca registrada disso - afinal, foi a primeira vez que vi a fantástica cena de armas soltando flores pelo campo, em vez das crueis balas. Ler o Menino do Dedo Verde em tal momento da minha, em que começava a formar este meu lado cidadão foi uma coisa excelente. Sem contar que antes da ecologia e o senso ambiental estar tão na moda, Maurice Druon já galgava os primeiros passos, criando nas novas gerações o conceito de se lutar por viver em um lugar melhor.

Seria uma ótima pedida que muitos pais colocassem no caminho dos seus filhos a beleza e a pureza de Tistu.
E para os adultos que ainda acreditam na pureza das emoções, não percam a chance de ler (ou reler) este livro.Link

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