segunda-feira, 7 de julho de 2014

Andar e (re)aprender com a paisagem

Se o paisagismo e a gestão ambiental e urbana devem aproximar as pessoas da natureza – nos espaços individuais ou públicos, como um ato de saúde e de (re)educação, então comecemos por nós mesmos – profissionais e aficcionados. Aproveite esta fonte poderosa de força e aprendizado – a Mãe Terra.
Comece explorando os parques urbanos e suas trilhas, e ouse – torne-se um andarilho, um expedicionário. Conheça parques estaduais e nacionais dos vários biomas brasileiros e sul-americanos. Valorize o que é nosso, deixando no caminho o complexo de vira-latas. Ao frequentar estes parques, ajude a torná-los espaços de visitação e educação para as pessoas – não feudos de burocratas ambientais. Só pelo (bom) uso, estas reservas cumprirão suas funções, serão cuidados e protegidos.
Como caminhante, inicie o importante desaprendizado do excesso de urbanidade que as pessoas carregam consigo. O mundo natural contém riscos – a serem respeitados e administrados, mas é antes de tudo generoso e saudável. Perca o medo neurótico do que é natural. Depois, torne-se um observador aguçado. Fique à vontade e aproveite as lições.
Estude controle de erosão com a chuva e a mata. Sinta na cara uma tempestade, veja a água bater na copa das árvores, nas folhas do chão e infiltrar no solo. Percorra o caminho dela até os córregos, ande dentro deles, entenda como a floresta protege solos e águas apenas com formato, rocha, capim e árvores – bioengenharia. Absorva as lições dO Engenheiro. Só assim, você internalizará o conceito da boa cidade mescla do natural com o construído.
Aprenda paisagismo com a paisagem, por mais que você tenha bons mestres e livros. Confirme ao vivo o enunciado de Burle Marx “a repetição do indivíduo valoriza a beleza da espécie”. Encante-se com a paisagem típica de cada bioma e os detalhes e as composições que os transcendem. Descortine um pouquinho da nossa megabiodiversidade. Perceba o poder escultural das plantas, o frescor da sombra das árvores, a conexão entre as rochas, os solos, a vegetação, os bichos, os ciclos naturais. Vivencie na alma a “Teia da Vida” – e o que Fritjof Capra disse no livro com este título. Só então, você entenderá por que jardins naturalistas e brasileiros são superiores – sob uma ótica filosófica, aos formais e colonizados. Estes vendendo a ilusão do ser humano em competir, controlar, subjugar a natureza. Aqueles traduzindo a sabedoria da integração com a Vida e do celebrar a nossa nação.

Buritis ao cair da noite
Percorra florestas, montanhas, praias, várzeas, campos e planícies. Abrace grandes árvores e sinta sua energia. Deixe suas tristezas, dores e cansaços de corpo e alma nas cachoeiras e nas trilhas. Encontre a si mesmo no encontro do rio com o mar e do céu com a terra. Resgate a sua saúde – física, mental e espiritual, para só então defender cidades e ambientes saudáveis. Reconecte-se com o Universo, dentro e fora de você, e seja libertado dos excessos e das ilusões das vidas acadêmica, burocrática, urbana e moderna. Boa Trilha!

Abraço da árvore

Ramis Tetu      Link

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